Superbloques
2010Em 2002 comecei a investigar o complexo de moradia Pruitt Igoe, demolido em 1972 por causas complexas. O edifício foi declarado por Charles Jenks como o fim da arquitetura moderna e o início do pós-modernismo na arquitetura. O resultado dessa pesquisa foi uma obra chamada Boom Boom Boom, uma heliografia de grande formato com a imagem da demolição desse complexo de moradia e escombros no chão. A partir dessa obra, trabalhei sobre as imagens do modernismo no design e na arquitetura, sobre a ideia de utopia e fracasso e a desilusão com a arquitetura, a arte, e o design como ferramentas para transformar o mundo.
Essa é uma peça chave que reúne muitos dos interesses recorrentes no meu trabalho, como o interesse pela arquitetura moderna e o seu cruzamento com as experiências latino-americanas, o interesse pela música popular. A obra foi ganhadora do Premio Bienal de Artes Plásticas de Bogotá, o que gerou um impulso importante no meu trabalho.
Meu trabalho está cruzado por interesses diversos em torno à ideia de modernidade e utopia desde 2000, tema que hoje acredito ser recorrente na produção mais recente de muitos artistas por um repentino interesse nesse período na história da arte e da arquitetura. No meu trabalho, existe uma ambiguidade não resolvida entre um sentimento de nostalgia com as ideias que quiseram melhorar o mundo através das formas de construí-lo, uma visão irônica que vê repetidos fracassos em torno a uma fé desmedida pelas tecnologias, e um convencimento de que muitas das ideias da modernidade contêm ainda um potencial inexplorado, esperando melhores tempos para seu florescimento.
Luis F. Ramírez Celis em depoimento à PLATAFORMA:VB (janeiro 2017)
Superbloques, 2010 | Vídeo, 5’37"
Luis F. Ramírez Celis
Koyaanisqatsi (1982) | Godfrey Reggio
El Super Bloque | Simon Diaz
Evidentemente o cinema e a arquitetura do filme Koyaanisqatsi de Reggio e o conjunto Pruitt Igoe de Minoru Yamasaky, a arquitetura venezuelana modernista de Carlos Raúl Villanueva, a canção “El Superbloque” de Simón Díaz, a vida e a obra do meu tio, o arquiteto Carlos Celis Cepero, através de seus relatos, seu encontro com Le Corbusier, sua façanha modernista na Venezuela, sua colaboração com Carlos Raúl Villanueva.

