Sem título
2016Não sei se a criação dessas pinturas teve tanto a ver com o campo da pesquisa, no sentido direto de recolher dados para que essas obras fossem estruturadas. Gosto mais do sentido que a palavra “vivência” carrega. A realização dessas obras é o resultado da tentativa de uma interpretação sensível e menos racional de uma vivência que acontece fora do ateliê.
Essas pinturas se comunicam com as demais obras da minha produção pelo fato de seguirem estratégias de construção imaginárias, em que a própria pintura se constrói de acordo com um percurso acidental.
Gosto de depositar minha esperança na crença de que existe um diálogo entre obra e mundo e que esses dois sujeitos se revezam na posição de locutor e interlocutor, gerando uma conversa que é capaz de atravessar o tempo e o espaço, enchendo-se de cicatrizes até se espatifar, dando forma a inúmeras outras obras e possibilidades de mundos.
Elvis Almeida em depoimento a PLATAFORM:VB (junho 2017)
Sem título, 2016 | Pintura
Elvis Almeida
Sem título, 2016 | Pintura
Elvis Almeida
Alucinação (1976) | Belchior
“Eu não estou interessado em nenhuma teoria,
Nem nessas coisas do oriente, romances astrais
A minha alucinação é suportar o dia-a-dia,
E meu delírio é a experiência com coisas reais
Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite, revólver: cheira cachorro
Os humilhados do parque com os seus jornais”
Alucinação (1976) | Belchior

