trabalho
relações sociais
território
intimidade
imigração
classe social
paisagem
exploração
trama
privatização

LINES OF DIVERGENCE

2018
Publicado em
25.09.2019
Última atualização
23.09.2025
adicionar ao meu mapa
Still do vídeo "LINES OF DIVERGENCE"
Still do vídeo "LINES OF DIVERGENCE"
Still do vídeo "LINES OF DIVERGENCE"

Para falar a respeito do modo como a modernização e a industrialização entendem a natureza, comecei a desenvolver trabalhos que se originaram de uma série de visitas a diversos locais, onde paisagens rurais e urbanas se encontravam. Eu estava interessada em registrar essas transições, em como essas paisagens naturais se transformam em um lugar onde a natureza é efetivamente vista como um recurso extrativista para a criação de capital. Estou interessada na ruptura entre cultura e natureza, que se originou com o modernismo, e como a natureza se tornou um produto para ser explorado ou meramente analisado e controlado pela ciência.   

Em relação à tensão entre espaço público e privado no Peru, explorei, por meio de alguns trabalhos, ideias sobre privatização da paisagem e cooptação dos recursos naturais, estudando os impactos sociais e a má distribuição de recursos. Estou interessada em acompanhar a adaptabilidade das pessoas em torno dessas condições e em como novas formas de resistência surgem a partir delas. Essas mudanças do ambiente natural acabam se integrando na paisagem cultural mais ampla. Penso que os fenômenos sociais e políticos, que acontecem em torno desses novos usos do espaço, são intrinsecamente associados à cultura e à história do lugar.

Alguns desses elementos, desses recursos, estão sempre desempenhando um papel nos meus trabalhos, como o cobre e o bambu. O cobre é um dos principais produtos da economia peruana. Somos o segundo maior produtor mundial e os maiores exportadores para a China. Utilizo o cobre como objeto que simboliza um recurso natural que vem sendo amplamente explorado e comercializado em sua forma industrial. Por meio do meu trabalho, os impactos socioambientais que as políticas de extrativismo implicam são questionados, reassociando o cobre a práticas artesanais. O bambu e o vime também são elementos que uso para criar tensão entre materiais industriais e naturais. O bambu é usado como material na construção civil, principalmente na região litorânea do Peru, na forma de painéis trançados. Por ser um material acessível, é muitas vezes utilizado para demarcar o território em invasões de terra, simbolizando um gesto de resistência contra o descaso do Estado, particularmente em relação a comunidades indígenas e pobres, e em processos constantes de apagamento cultural que surgem na esteira da globalização.

Em depoimento à PLATAFORMA:VB

Dados técnicos

2018 | Vídeo. 7’35’’

Ações VB