GA BOSE GANGWE
2014O trabalho que faço funciona como um espelho de um mundo habitado por diferentes corpos. No meu trabalho fotográfico, por exemplo, esses corpos são tão materiais quanto as paisagens, os cenários, e os objetos enquadrados na obra. Em uma prática fotográfica autorreflexiva, onde o corpo está no centro da imagem e da narrativa, como na maior parte dos meus trabalhos, a materialidade se torna o veículo através do qual o sentido pode ser inscrito e retido. O material também pode operar para prescrever/descrever um contexto particular em uma obra. Na maioria dos casos, o material ou o corpo é muitas vezes a narrativa.
A arte sempre teve o papel de espelhar a sociedade, especialmente ao abordar criticamente as memórias e o legado do colonialismo e do apartheid. A arte precisa refletir as experiências vividas de um momento em particular do tempo. Mas a arte também pode ser um modo de reter a memória através da cultura. Por isso, a arte pode ser reflexiva tanto como um espelho quanto como uma janela para nosso passado. Assim, em um contexto em que o colonialismo engendrou o apagamento da cultura africana como meio de explorar a terra e o povo, o papel da memória é central para moldar o futuro da África na era pós-colonial.
Em um estado industrial racializado, a mão-de-obra é um recurso indispensável. Nesse sentido, a descoberta de ouro e diamantes na África do Sul removeu todos os entraves à exploração em massa dos corpos, em sua maioria de homens negros, para cavar o terreno e extrair a riqueza mineral sob condições de escravidão. No meu trabalho, a predominância da figura masculina é resultado de uma reflexão biográfica das minhas experiências de vida, mas também representa o meu interesse no papel da masculinidade e da raça na história sul-africana. Em grande medida, a violência e a discriminação social do Estado racista sul-africano foram expressas no tratamento brutal contra o corpo negro masculino.
GA BOSE GANGWE
2014 | Vídeo, 2’15’’
Trecho de "Ga Bose Gangwe", 2014
A CONSTRUÇÃO DO SEXO DO HOMEM NEGRO NA DIÁSPORA: UM ESTUDO SOBRE AS RELAÇÕES DE DESEJO NAS MASCULINIDADES DE VARÕES MIGRANTE Suely Aldir Messeder, 2010.
MASCULINIDADES NEGRAS EM MOVIMENTO – O CINEMA NEGRO COMO PRÁTICA DECOLONIAL, Marco Aurélio da Conceição Correa, 2018.
